Simplório

Feliz é aquele que acredita em demônios, pois ele sempre sabe onde o mal está. – Sr. J

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A religião do meu tempo

Todos serão astros de brilho igualitário e terão Deuses feitos a sua imagem e semelhança para representá-los.

Nos odiaremos até o fim

Acredito que nos odiaremos em função de nossas verdades absolutas até o fim, a menos que percebamos o desprezo que a vida sente por nossas crenças, nossas ideologias.

Amor e Ódio

Não acredito que as pessoas odeiem, matem, guerreiem, derramem sangue etc. porque falta amor. Na verdade, penso que o que falta é parar de negar a existência do ódio. O ódio não é ausência de amor, como o frio é ausência de calor. O ódio queima, assim como o amor. Não é com mais amor que se vence o ódio, o amor é um sentimento caro, não conseguimos senti-lo por qualquer um. Enquanto se tentar vencer o ódio com o amor, o ódio sempre vencerá, pois ele é mais barato.

O amor é o sentimento mais lindo de todos!

O amor é o sentimento mais lindo de todos, somente ele pode nos salvar, só o amor cura! Mas você já reparou como “ex” é sempre uma figura ruim? Uma coisa a ser esquecida, desprezada, para querer distância. Uma coisa que “não presta”. Uma coisa que, na melhor das hipóteses, deve ser tratada com desdém… Ah, deve ser porque não foi “amor de verdade”, porque o “AMOR de verdade”, o não sei o que “de verdade”… Parece-me que para aqueles que negam o mundo da vida, tudo são sombras nas paredes de uma caverna. O “De verdade” nunca está presente no mundo da vida.

O que eu acho

Aqui falo com aqueles que são afetados pelo que normalmente afeta, aflige, compele as ações humanas. Aqui venho falar com os comuns, aos quais faço parte. Os especiais que conversem entre si.

Nós, reles mortais, geralmente buscamos um alguém. Penso que isso se deva pela tragédia de nossa natureza. Somos insuficientes, inacabados, carentes, abrigamos um abismo. Sentimos necessidade de coisas que sozinhos não podemos fazer por nós mesmos, o que nos leva a buscar pelo outro, para que ele faça por nós ou para que ele faça conosco, ou para que ele nos faça esquecer. Acredito que a busca pelo outro tenha muito mais a ver com nós mesmo do que de fato com o outro. Talvez, nós, mortais, busquemos tanto o outro para esquecermos do Eu, pois lidar com o Eu é demasiadamente difícil, é desconfortante, ele é tão insuficiente, ele não se basta! Acredito que o amor deva sua existência a nossa insuficiência e é claro, a nossos instintos que muitas vezes funcionam como gatilho. Mas por outro lado, penso que seja por causa deles mesmos, nossa insuficiência e instintos que o amor encontre seu fim. Não é curioso o amor encontrar seu fim por meio daquilo que também causa seu início? Sim, ao contrário do que muito é dito na fantasia e idealização infantil e desesperada que paira sobre o amor, para mim, ele também morre, como tudo que é humano. Não acredito que o amor tenha qualquer tipo de “força superior” ou “elevação”, até porque, mesmo ele está sujeito a condições. Penso que aqueles que compararam o amor ao fogo, de certa forma acertaram. O fogo queima, consome. Pode te aquecer ou te queimar e para que aconteça necessita de certas condições, assim como para se manter. O fogo pode ser bom ou mau, como o amor, ele é ambivalente. Porém, gosto de pensar no amor como uma coisa viva, como uma pessoa, que precisa de condições para nascer e para viver. Uma pessoa com vontades, necessidades e desejos, que sente fome e sede. Não o considero algo transcendente, “além do mundo sensível”, espirito, que vá além da carne, essas coisas metafisicas, terminadas. Não, nem um pouco. O amor é uma espécie de bagunça entre carne e espirito. O amor é algo inacabado, sujeito a ação do tempo, assim como nós.

Mas talvez, a grande sacada do amor seja ele ser capaz de nos fazer esquecer nossa miséria. Talvez, o amor seja tão sedutor por nos fazer nos preocupar genuinamente com alguém que não seja nós mesmos. E talvez, eu precise de poesia para continuar a falar dele.

Ambivalência

Amor é suprir
É apego, é vício
É preencher e compartilhar
É consumir e ser consumido.
É sempre estar ocupado demais para o vazio e também para a paz.
Amor é contratempo
É lidar com o adverso, o diferente, as diferenças, indiferenças
Amar é trabalhoso, toma mente e corpo
Amar não é mar de rosas
Está mais para água e fogo.
Amar é ter um porto seguro
É ter pra onde voltar depois de tudo
Amar é inseguro, pois é tão simples se perder tudo nesse mundo.

Amor é querer estar na presença
É sofrer a ausência
É querer desfrutar
É ter o que compartilhar
É querer dar carinho
É querer dar prazer
Mas também os receber
Amar é permitir que alguém possa lhe causar o pior tipo de ferimento, um do tipo que não sangra

Amar é se afetar
Amar é irregular
Amar é querer cuidar, é querer proteger
Amar pode doer
No amor não existem contos de fadas
Neles a realidade não vê graça

Amar é ter um cúmplice
Amar é ter alguém que possa lhe trair
Amor é início sujeito a fim.

Tela em branco

Não consigo levar muito a sério ideologias que se fundamentam na ideia de que não existe uma natureza humana, que o ser humano é uma tela em branco que se pinta única e exclusivamente em função de seu meio e que nossas cores podem ser reorganizadas com cartazes, reuniões, saraus e passeatas. Não dá, para mim isso ou é desespero, ou é ignorância, ou é mau-caratismo mesmo. E digo isso porque acredito na ideia de pecado, mas não de forma religiosa. Acredito que a experiência humana envolva lidar com uma série de demônios, que ora ou outra são anjos, vivendo em nossas entranhas.

Sentido da vida

Não me considero um ser tão importante assim a ponto de minha existência necessitar de algum significado, proposito ou finalidade. – Sr. J

Eu não acredito em vocês

Não acredito na preocupação com o bem do próximo, quero dizer, como regra de comportamento. Acredito nela como exceção, nada mais. Mas de que estou falando? O que quero dizer? Quero dizer que, para mim, toda essa “comoção” a favor do próximo é efêmera, frágil, e quem sabe até mesmo falsa. Quer saber por quê? Penso que toda essa “conscientização” e preocupação com o bem-estar e respeito ao próximo se dissolve “na primeira semana de real provação”, pois são fruto de uma besta amansada por mercadorias e lazer. Penso que, via de regra, conseguimos nos importar genuinamente com meia dúzia de pessoas e olhe lá. Somos bestas sob controle, nossa selvageria não desapareceu, ela apenas adormeceu (vide século xx, que foi praticamente ontem), nós sabemos disso e vivemos com medo disso. É por isso que criamos tantas regras de convivência e conceitos para nos sentirmos moralmente superiores e “mais evoluídos” que os antigos, mais evoluídos que nossos avós. Mas “nada há de novo debaixo do sol, tudo é vaidade”. Eu não acredito em vocês.

Idealizada

Aquela mulher…
Que te envolve em chamas somente com um olhar
Um olhar magnético louco para te dominar
Aquela mulher que te puxa
Que por ti perde a compostura
Aquela que invade o teu querer
E exerce o poder de mudar tua rota
E no calor de seu corpo tu se vicia

 
Aquela que toma a forma do teu sossego, moradia do teu apego
Aquela que por ti transborda
Aquela por quem teu eu aflora
Aquela louca!
Que te convence a junto com ela
Colocar a liberdade à prova

 
Aquela por quem o desejo pinga
Aquela com quem há partilha
Aquela com quem se é indecente
Aquela com quem não se teme ser gente
Aquela com quem se quebram as correntes.

Esquecimento

Eu acho que a modernidade criou uma geração (ou gerações) de mimados descontrolados. Acho que nós nos esquecemos, por algum motivo nos esquecemos que a vida não tem garantias. Nos esquecemos que o ser humano briga mesmo, que ele odeia mesmo e que na maioria das vezes as coisas dão errado mesmo. A felicidade é um luxo, não um direito. Eu acho que a vida moderna, tecnologia, conforto, mobilidade e etc. fez com que a parte mimada de nossa natureza “saísse do controle”, o que nos transformou numa espécie de “mauricinhos da natureza”, que por algum motivo acham que o mundo tem a obrigação de agrada-los. Me parece que a sobrevivência ficou tão mais fácil que, ao invés de uma conquista, a tratamos como um direito. Eu acho que nós nos esquecemos que a vida é uma contagem regressiva.

Somente

Somente pessoas boas lutam pelo bem, todas as outras lutam por aquilo em que acreditam. – Sr. J 

Sexo: Tabu e Supervalorização

Existem duas visões sobre o sexo as quais não consigo concordar. A primeira é ver o sexo como um tabu, aquele que não pode ser nomeado, nunca devendo se referir a ele diretamente, pois sua simples menção é uma ofensa. O sexo tal qual uma bomba nuclear deve ser evitado, sendo permitido somente em casos isolados, sob condições controladas e somente após “assinar alguns papeis”. Eu acho essa visão, no mínimo, imatura. A outra é a da supervalorização. Uma visão do sexo como uma das maravilhas do mundo, onde se conserva uma adoração pelo ato como se faz a um Deus, de forma que ele passa, praticamente, a dar significado a vida do indivíduo, que o persegue em busca constante. Essa eu acho um tanto patética. Já em minha perspectiva, o sexo não é algo tão demoníaco nem tão divino. Acho que o sexo é somente sexo mesmo. Não é prova de amor, e às vezes nem de desejo. O ato sexual na humanidade é tão banal quanto o ato de derramar sangue. O desejo sexual se manifesta como necessidade em nossos corpos, tal qual a sede e a fome, e considero que demonizá-lo ou privar-se dele é tolice, na medida que vejo isso como uma forma de tentar fugir do que se é, tentar fugir de ser humano, o que considero nada mais nada menos que fonte de sofrimento. Da mesma forma que considero que idolatrá-lo também é, pois o sexo não carrega nenhum significado por si só, ele é somente uma coisa que estamos condicionados a querer, assim como tomar um copo d’água de vez em quando. Assim vejo: nem um Deus e muito menos um demônio, nada de mais, somente sexo. É claro que saindo de suas idealizações entre bem e mal, maligno e benigno, céu e inferno, e vindo para a realidade que importa, ou seja, aquela que acontece na cama, existem uma série de questões, dilemas e preferências. Mas se o sexo pode ser mais que banal isso só pode vir do que se sente por aquele com quem se faz, só isso teria chance de remover a banalidade e ausência de profundidade que o habita (junto com a maioria das coisas da humanidade) e preencher esse vazio atávico, mas reforço, não é o sexo em si, é o que se sente por com quem se faz que pode torna-lo mais que banal, é o “por que com ele ou com ela”. Assim como passar a tarde fazendo nada com uma pessoa querida pode ser muito mais prazerosa e cheia de significado do que fazendo um sexo qualquer. Matar a sede é somente matar a sede, mas beber sua bebida favorita não. Considero como já foi dito antes “A virtude é o caminho do meio”.

SONETO DE DEVOÇÃO
Rio de Janeiro , 1938

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.

Essa mulher é um mundo! — uma cadela
Talvez… — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

Vinicius de Morais

Me espere

Não espere de mim a garantia de teu sorriso
Pois sou falho
Reconheço que dentro de mim há pecado
Sou insuficiente pela condição do meu ser
Que busca dentro e fora de si
Sustentação para viver
Espere de mim a valentia de quem enfrenta o abismo
Mas não espere muita ternura
Perceber a indiferença das estrelas nos muda
Espere de mim tenacidade ante a contingência que rege a vida
Espere de mim erro e tentativa
Mas por favor, espere de mim.

Salvar o mundo

Para mim, toda tentativa de salvar o mundo acaba em tirania e guerra. Sabe por quê? Porque o mundo não precisa ser salvo, você sim. Provavelmente, quem diz que quer salvar o mundo está mentido, ou para você, ou para si mesmo.

Sr. J

Sobre a natureza humana: Não se ofenda!(Motivacional?)

Eu poderia começar indo direto ao assunto, mas provavelmente você iria me entender errado, então vou contextualizar. Você está triste, muito triste. As coisas não dão certo, as coisas não agradam. Você não vê sentido em nada, não tem interesse em nada, está sem perspectivas, às vezes até sem palavras. O mundo é cruel demais, as pessoas são egoístas demais, egocêntricas demais, indiferentes demais, hipócritas demais, fúteis demais, nojentas demais, sem graça demais. Você está profundamente entristecido ou desinteressado com o mundo, com a vida, ela é chata demais, difícil demais, e sem sentido nenhum. Se você se identificou com alguma dessas coisas que acabou de ler, continue lendo esse texto, caso não, bom… eu acho que você não é o público alvo desse texto, mas sinta-se à vontade para continuar lendo-o. Mas voltando ao assunto. Se você se sente dessa forma, eu tenho algo a lhe dizer: Para mim, você está afetado, abalado, chame como preferir, porque as coisas não são do jeito que você gostaria que fossem. Você está estagnado, ressentido, chame como quiser, porque “o mundo” não é do jeito que você gostaria que ele fosse, e por ele não ser da forma como você quer que ele seja, você fica abatido, revoltado, desanimado, triste, ofendido. Resumindo: O mundo não te agrada, logo, você se abate. Vou dizer uma coisa: para mim, toda essa situação quer dizer que você está sentido pena de si mesmo “Olha só, como o mundo é indiferente às minhas vontades. Que absurdo! ”. Aí se afoga em tristeza, decepção, estagnação em relação a vida. Se você não concorda que está triste, revoltado, magoado, ressentido com as pessoas, com o mundo, a realidade, a vida, porque as coisas não são como você gostaria que fossem, seja lá o que você pense, novamente, acho que esse texto não é para você, caso concorde, eu gostaria de lhe perguntar uma coisa: quem foi que disse que o mundo deveria te agradar? Ser do jeito que você gostaria que fosse? Quem foi que disse que o mundo te deve alguma coisa? E quem foi que disse que você, dentre todas as pessoas que existem e que já existiram, é quem sabe como o mundo deveria ser para ser melhor? (Caso você tenha uma visão de “mundo melhor”). A nossa natureza nos faz agir como se fossemos mais importante do que realmente somos na vida. A nossa natureza nos faz mimados e egocêntricos. Todo mundo tem uma ideia de “mundo melhor”, você, seu grupo, não são os únicos. Então, o que quero dizer com tudo isso não é que você é fraco, não é que você é patético nem nada que seja pejorativo, o que quero lhe dizer é: não se ofenda com a vida, não se ofenda com o mundo. Não seja engolido pelo próprio ego humano. Não estou dizendo para virar um monge sereno e desapegado, só estou dizendo que justiça, bem, mal, certo, errado, são coisas da mente humana, a realidade não conhece esse tipo de coisa, ela não foi feita para te agradar, ela não tem culpa. Não se ofenda.

Faça de si mesmo uma ovelha e os lobos te comerão vivo. – Benjamin Franklin

Ser o que é

Eu quero ser luz e trevas
Não quero ser somente parcela
Quero pulsar o que sou
Quero ser o que é

Desejos são o sangue da alma
Não os perca por nada
Não os permita secar
Mas veja, tome cuidado para não se afogar.

Quem está na chuva é para se molhar

A vida?
O que é a vida?
A vida é lidar com o fortuito…
A vida?
O que é a vida?
A vida é como aquele início de chuva,
Em que inúmeras gotas começam a cair,
E por algum motivo, alguns pontos específicos do solo
Não são atingidos.
Mas a chuva irá continuar
E em algum momento eles também serão pegos.
E ainda assim, existirão alguns pontos, que dado ao acaso, por sua posição privilegiada,
Não serão atingidos.
Mas a chuva, ela irá engrossar…
E no fim, todos nós sairemos molhados daqui.

 

 

A mente humana foge do caos

O universo é um grande vazio, a existência é um grande vazio sem sentido ou propósito aparente, e isso é perfeito para a mente humana, pois ela adora inventar significados e sentido para tudo. Isso até parece que foi planejado, não é mesmo?

Quem é que representa o bem, afinal?

Se até os anjos caíram, por que devo confiar em você?

Um pouco de maturidade

Tudo que você acredita é de sua responsabilidade. Tudo que você acha que é o certo, é de sua responsabilidade. Se você sofre por as coisas não serem da forma como você quer, você sofre por opção. Você é responsável por si mesmo, você gostando ou não, você aceitando ou não. O mundo não foi feito para você, ele não tem a menor obrigação de lhe fazer feliz.

Enquanto você sentir pena de si mesmo, o mundo será um inferno!”

Beijos que não me permiti

Infelizmente, eu acertei.
Olhei para ti e quis ver mais.
Tive sorte.
Se tudo tivesse corrido a seu favor,
Eu teria cometido esse erro.
Se você tivesse encantado aos olhos um pouco mais,
Certamente cegaria minha mente,
Paralisando-me num estado de hipnose.
Eu teria tropeçado, teria errado.
Ou será que nossa união
Seria ponto determinante a mudar
Para melhor nossa atual condição?
… Acho que não.

Ser otimista

Me coloco a pensar quase o tempo todo.
Pensamentos aleatórios, condenatórios, escatológicos.
Otimismo? Nem antes de ser pessimista era eu um otimista.
Sempre tive um certo talento para ver coisas ruins.
A maioria das pessoas prefere às ignorar,
mas eu, eu tenho medo de ignora-las.
Como é que se nada no Nilo sem se preocupar com os crocodilos?

                                                                                                                    P.S: Para um velho amigo.

Ninguém é o vilão da própria história

“Ninguém é o vilão da própria história”. Eu adoro essa frase! Eu gosto dela porque, em minha perspectiva, ela se relaciona muito bem com a natureza humana. Todos os seres humanos são vítimas de um mundo maligno! Mundo esse que nós mesmo criamos e sustentamos a cada dia! Isso não é engraçado?
Todos aqueles que estão tentando mudar o mundo para melhor são heróis, são bons, afinal, é bem incomum alguém lutar para mudar o mundo para pior. Mas sabe onde está a coisa que me fascina no meio disso tudo? Uma coisa que o raciocínio fraco dos heróis geralmente não alcança. Eles lutam para mudar o mundo para “melhor”, isso é verdade, porém, eles agem como se a ideia de “mundo melhor” deles fosse realmente a única certa dentre todas, e quem não concordar está errado! E geralmente é apontado como “o mal”, não importa a justificativa, não importa em que você acredite, você é o “mal” se não concordar com eles.

É realmente encantador como ninguém se enxerga como o mal. Sabe, isso me faz chegar a uma conclusão engraçada: no mundo real, não existem vilões! E os heróis lutam entre si. (Risos) – “Heróis” se matando para salvar o PRÓPRIO mundo. Isso não é engraçado? A raça humana é vítima dela mesma, da própria natureza, que não tem coragem ou capacidade de aceitar (não sei ao certo). O ser humano se faz vítima de si mesmo. Quando você se coloca como vítima do mundo, você automaticamente coloca “o mundo” como errado, e isso faz com que as pessoas se sintam bem, pois isso passa a ideia de que elas são “boas” e “o mundo” é que é mal. Afinal, “ninguém é o vilão da própria história”.

Eu não sou poeta

Eu não sou poeta, infelizmente.
O que escrevo é só repercussão
Do que sinto ao ver nossa condição,
Me desalenta, fico impotente.

Poesia quase não consumi.
Lembro-me de um que li de Drummond,
Um sobre ombros e o mundo, achei bom.
Mas repertório não construí.

Nos antigos não busco inspiração,
Nem conselhos, nem orientação.
Comecei a escrever, pois precisava.

E com isso, livro-me desse peso:
Poeta, artista, culto, erudito.
Eu faço o que faço porque preciso.

Eu não sou poeta – Parte 2

Eu não ligo para métrica,
escrevo, leio, ouço
e se gosto do som, ponho na tela.
Preocupo-me com o que quero dizer,
não dou muita atenção a malabarismos na forma desse dizer.
Confesso que gosto de manter essa rebeldia,
mas não é por vaidade, é mais por preguiça.
Meu objetivo sempre foi me expressar,
nunca tive muita vontade de encantar.
No máximo, tento escrever de uma forma
em que outros possam se identificar.

Prisão

O que tu amas?
Amas a mim ou deitar-se comigo?
Amas a mim ou o que sentes na cama?
Amas a mim ou o que sentes no beijo,
No meu toque,
Em ter minha posse.

Diz que me amas, mas me aprisiona
Em alianças brilhantes de promessas
De sempre querer o melhor para mim,
Desde que ele seja você.

Amor verdadeiro,
Duradouro, eterno,
Incondicional, irracional,
Proporcional? Real?

Diga-me que não é prisão quando tu és minha única opção!

Poesia vazia

Fala de si.
Chora por si.
Escreve por si.
Vive assim.

Usa a terceira
Para ocultar a primeira.
Usa o pretérito, já que não vê mais futuro.
Preso na forma intemporal:

Rasgando, estancando
Observando, rejeitando
Sonhando, acordando
Vivendo, tentando.

Na segunda nem toca,
Visto que é muito próxima.
Tem medo que descubras
Que na verdade é prosa.

E se a vida terminar sem rima?

E se eu não voltar amanhã ou depois?
E se não sobrar nada de nós dois,
E se a vida não for a dois,
E se a chance já se foi,
E se deixarmos isso pra depois?

E se o tempo parar ao meu lado?
Quieto,
Calado,
Observando-me despreocupado.

E se a poesia
Virar profecia
E o que for escrito
Acontecer em nossas vidas?

E se eu não souber como termina
E escrever mais três versos
Só pra terminar com rima?

O tolo gravador

Alguns tolos passam despercebidos,
Porque sabem falar bonito.
Impressionam com “seus” conceitos,
Pura frase de efeito.
Escondem o defeito que sua ignorância traz,
Pura hipocrisia.

Muita gente sabia falar bonito, mas não fazia,
Na verdade, sua mente não compreendia
O que sua boca dizia,
Era uma frase que ele havia escutado outro dia.

Por não ter qualidade
E não saber a verdade,
Sua artificialidade nem era o pior.
Sua mente travada, censurada por palavras decoradas
O impedia de tentar ser melhor.

Fração de segundo – Parte 1

Lá fora, eu olhava a chuva cair,
O tempo sumir,
A vida seguir,
O homem sorrir
E minha maquiagem sair.

O barulho das gotas ao tocar o solo,
Uma sensação…
Fios de cabelo na frente dos olhos.

Caminhava até minha casa
Naquela tarde gelada, chuvosa e nublada,
E a sensação num pensamento se transformava.

Cheguei à porta de minha casa,
Parei, pensei, dei meia volta
E olhei para o nada.

Aquela sensação, pensamento, ideia,
Em uma frase se convertia
“Isso que está acontecendo agora é a minha vida”.

Dê a eles o que eles…

Escrevo de tudo um pouco,
Pois um pouco de tudo me afeta.
Não falo de tudo tudo,
Porque nem de tudo me dou conta.

Olho para quem quero ser
E não sei ao certo o que pensar,
Pois vejo que busco ser
O que preciso alcançar.

Queremos porque precisamos
Ou precisamos porque queremos?

E nela vi cinzas

Ela é bonita e inteligente, aparentemente.
É charmosa e misteriosa,
Tão charmosa que até incomoda.

É como o canto da sereia
Que ludibria e quebra suas defesas,
Trazendo a sensação.

A sensação de perigo
Do desconhecido,
De um sorriso irresistível.

De um desejo inconfundível,
De um olhar indescritível
Que lhe atinge e provoca um suspiro.

Para não dizer palavras bonitas

Eu vivo dizendo
Que não acredito em amor,
Que não quero um amor,
Que não preciso de um amor.

Digo isso,
Porque no que dizem ser amor,
Eu vejo a ânsia de saciar.
No que dizem ser belo e puro,
Eu vejo o interesse no olhar.
Com o fato nada há de errado
É com a fantasia que me desagrado.

Amor não se aplica á realidade
É conto de fadas para todas as idades,
Amor de verdade,
Só existe na pequena ponta do lápis.
Não quero isso,
Quero algo de verdade!

O amor é uma idealização coletiva
Daqueles que não compreendem
O que sentem
E o que sentiram na vida.

Em toda prepotência, Willian.

As correntes são imaginárias

Voe! Voe pra bem longe!
Vá com esse vento criado do meu sopro!
Com essa chuva nascida do meu choro.
Desapareça na tempestade de minha fúria.
Deixe de existir no vazio de minha indiferença.

Houve um tempo em que eu te aceitei.
Houve um tempo em que eu te abracei,
Mas agora não!
Hoje não,
Não quero mais!

Você vai deixar seu rastro,
Mas não tenho mais espaço.
Acabou o nosso contrato,
Agora é cada um pro seu lado.

Vá com esse vento
E não volte nunca mais.
Meu tempo agora é de paz.

Meu teto é o céu

Se eu falar para você
Que esses dias eu estava sonhando,
Que sonhava estar brincando em uma praça.

Eram eu, dois pássaros e uma praça,
Alguns brinquedos e areia da praia.
Do lado, bem no canto,
Tinha um bosque.

Com flores pretas, vermelhas e brilhantes.
Acima tinha o céu com nuvens espalhadas
Onde se viam quase todas as formas.

Do outro lado
Eram apenas montanhas
Onde ficavam pessoas estranhas.

Depois não tinha mais nada,
Só o frio intenso da madrugada
Que me acordava.

Olhei para um lado,
Depois para o outro
E vi que estava em casa.
Ali, deitado,
No banco de uma praça.

Pobresia

Oh! riquezas, poder!

Poder e riquezas.

Dignidade em algarismos.

Avaliados nos bens que temos.

 

Mas o que mais importa?

O que vale mais

Do que os bens materiais?

 

Somos o que temos.

Desejamos ser o que queremos ter,

Não enxergamos o que podemos.

 

Nascemos sem nada,

Morremos sem nada.

Como pode ideia tão bizarra?

 

Com dinheiro muito se compra,

Com poder tudo se consegue.

É assim que a humanidade se diverte.

 

Seja onde for,

Onde fomos

E aonde iremos.

O homem quer poder,

Se não existir

Nós criaremos!

Hoje eu vou às compras

Hoje eu vim comprar.
Vim comprar a alegria da estante,
Levar pros amigos mais distantes.
Quanto tá saindo a compreensão?

Pois é.
Queria dizer pra essa cidade,
To indo comprar gente de verdade
Pra preencher o vazio dessa solidão.

Hoje eu vim comprar.
Seu moço, me vê
Um quilo de bondade.
Quero espalhar por toda cidade.
Vou levar sorriso e mais compaixão.

Queria levar mais dignidade.
Abraços e beijos
E honestidade.
Falta muito disso lá pro meu povão.

Hoje eu vim comprar.
Vim comprar a alegria da estante,
Levar pros amigos mais distantes.
Me dá de brinde a felicidade
Porque hoje eu vim comprar.

Mundo vermelho

O céu está pegando fogo,
As crianças estão chorando,
O ar está pesado e
Os pássaros não estão cantando.

Olhem! Olhem!
Veja lá! Veja lá!
Entre as nuvens e as chamas,
Ele luta, ele sangra,
E eu o observo impotente.

As águas estão turvas,
Os olhos sem esperança.
Olhem lá! Olhem lá!
Na batalha entre as chamas,
Bravamente ele luta,
Bravamente ele avança.

De repente, do vermelho ardente ele cai.
Sem arrependimentos
Lentamente ele cai.
O céu ainda está pegando fogo
Enquanto ele cai.

Dizeres

O que queres quando diz isso?
O que significam tuas palavras?
O que diz,
Quando diz?

Palavras jogadas ao vento,
Soltas,
Perdidas no tempo,
Desnecessárias por puro fingimento.

Convive comigo e contigo
Ao mesmo tempo.
Necessidade de destilar o veneno.
Diga-me teus dizeres,
Mas só os verdadeiros.

Soldado

Perde o perdedor
Que tentava ganhar a vida.
Desiste da miragem
E beija a realidade.

Corta a carne quente,
Sangra o rosto frio,
Tremer dos lábios
Seguido de um calafrio.

Visão cristalizada
Pela lágrima que corre.
No conforto do fim,
O último suspiro
Do homem que abraçava a morte.

Uma noite

Se você olhar pela janela,
Você verá.
Verá a estrada que rasga a noite de luar,
Que se estende acompanhando o céu estrelado.

Tão fria,
Tão calma
Que chega a tocar a alma.
Noite bela
Que esconde seus perigos.

Os monstros que nela habitam,
Uns com pernas
Outros com patas,
E nem todos se escondem na mata.

Os mais medonhos são os que usam máscara,
Só de ver o coração já para.
Têm uns que usam terno e gravata,
Imagine só,
Que cena bizarra

Por isso me escondo no céu,
Na luz das estrelas.
Daqui de cima tudo isso vira besteira.
Sei que parece asneira,
Mas monstros
Não veem estrelas.